Como já registramos, os críticos são produtivos, muitos
deles formam o conjunto de empresários empreendedores, são participativos e
idealistas. Fica a pergunta: por que as empresas não gostam de críticos em seus
quadros funcionais? De modo geral existem duas motivações clássicas, a
blindagem das capacitações dos executivos chefes ou a vaidade dos mesmos.
Cristalizou-se nos mercados que os chefes são os que sabem
mais, por tanto, eles não gostam de serem contraditos por subalternos, eles se
sentem humilhados e temem perderem o cargo. Já a vaidade é uma velha
companheira da humanidade e o crítico que aponta um procedimento melhor do que
o sugerido pelos chefes fere-os o ego de morte. Seres insuportáveis esses
críticos!
Existe, ainda, um terceiro motivo muito comum, muito antigo,
mas trazido à luz juntamente com a revolução industrial. É a domesticação dos
seres humanos que são úteis apenas para a execução de tarefas preestabelecidas
e muito rotineiras. Na linha de montagem, no chão de fábrica, não existe lugar
para pensadores. É a chamada classe operária, que não tem liberdade nem para
transitar no ambiente da indústria. Saltam dos ônibus e caminham sempre pelo
mesmo lugar até aos postos de trabalho, ao olhar atento dos seguranças. Não são
humanos, são mão de obra, necessários em razão da incompetência tecnológica dos
fabricantes de maquinários pesados.
Vamos agora, abordar uma diretoria de primeiro time de uma
boa empresa. Uma vez por ano eles se reúnem de forma isolada para fazer o
planejamento estratégico. Quando dão por terminados os trabalhos, os “papeis”
onde foi registrado o planejamento, toma ares de pergaminhos. Dia-a-dia ganham
uma sacralidade indubitável e todos são cobrados pelos resultados e pela
implantação das estratégias contidas no sacro planejamento anual. Qualquer
crítico perguntará sobre a metodologia utilizada e pelo conhecimento de
utilização das mesmas, bem como, sobre o conhecimento das tendências das praças
ou regiões a serem trabalhados, a qualificação humana para o esforço de metas e
outras tantas questões que empresas brasileiras não fazem.
Outra questão interessante: Por que a contratação de jovens
ao invés de pessoas mais experientes, assim como eu, por exemplo? Antigamente
falava-se sobre o tempo de produtividade na empresa, sendo desvantagem
contratar um profissional prestes a se aposentar. As notícias falam que o tempo
médio de empregabilidade no Vale do Silício e de oito meses. O tempo médio de
duração de um contrato para um CEO, nos dias atuais, é de dois anos. Qualquer
pessoa que veja currículos vai perceber uma drástica redução no tempo médio de
relação de emprego. Mas continuam preferindo os jovens, por questões diversas:
salários menores, maior facilidade de manobra, assinam qualquer coisa no dia
seguinte a uma balada e por aí vai.
Ainda sobre o parágrafo acima, quem vai trabalhar, sabendo
não haver vínculos de permanência e assumir os riscos de não atingir os
objetivos acordados na contratação. Percebe-se um grande número de fraudes de
dirigentes em todos os setores da economia. A bolha do mercado americano em
2008, que causa reflexos ainda hoje, foi fruto de uma mega especulação que
deixou investidores com papel podre nas mãos. Mas os executivos, mesmo de
empresas tecnicamente falidas e socorridas pelos Estados, cumpriram as metas e
receberam seus bônus.
Será que os empreendedores temem fazer parte de histórias
como estas?
Quando me manifesto contrário ao liberalismo econômico e
suas variáveis é em função da análise dos resultados globais e,
fundamentalmente, pelo padrão ético que norteia a crítica liberal: é a ética do
movimento, do curto prazo, do bom, ainda que esse conceito de bom, possa causar
um desastre mais à frente. Ao criticar, não me torno socialista e nem deixo de
acreditar no capitalismo, que em uma frase do Ex-Ministro Delfin Neto, ninguém
o inventou. O capitalismo surgiu como uma natural consequência das transações
comerciais.
Não pretendo escrever sequer um opúsculo sobre o tema, desejo apenas
ensejar que meuá amigos façam uma reflexão sobre tema tão relevante, que faz a
diferença entre uma corporação dinâmica, produtiva e cumpridora de suas
obrigações sociais e uma fantasiosa corporação que nada tem além de papéis e
gráficos.
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