O tempo é um eterno fugitivo, por isso, a vida deve ser intensa e a intensidade de viver advém de valores benéficos a sua continuidade, pois o dia seguinte está por amadurecer e deverá ser vivido com a mesma intensidade de hoje. Tempus Fugit, Carpe Diem.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SER CRÍTICO IV – OS TEMORES DO MERCADO



Como já registramos, os críticos são produtivos, muitos deles formam o conjunto de empresários empreendedores, são participativos e idealistas. Fica a pergunta: por que as empresas não gostam de críticos em seus quadros funcionais? De modo geral existem duas motivações clássicas, a blindagem das capacitações dos executivos chefes ou a vaidade dos mesmos.
 
Cristalizou-se nos mercados que os chefes são os que sabem mais, por tanto, eles não gostam de serem contraditos por subalternos, eles se sentem humilhados e temem perderem o cargo. Já a vaidade é uma velha companheira da humanidade e o crítico que aponta um procedimento melhor do que o sugerido pelos chefes fere-os o ego de morte. Seres insuportáveis esses críticos!
 
Existe, ainda, um terceiro motivo muito comum, muito antigo, mas trazido à luz juntamente com a revolução industrial. É a domesticação dos seres humanos que são úteis apenas para a execução de tarefas preestabelecidas e muito rotineiras. Na linha de montagem, no chão de fábrica, não existe lugar para pensadores. É a chamada classe operária, que não tem liberdade nem para transitar no ambiente da indústria. Saltam dos ônibus e caminham sempre pelo mesmo lugar até aos postos de trabalho, ao olhar atento dos seguranças. Não são humanos, são mão de obra, necessários em razão da incompetência tecnológica dos fabricantes de maquinários pesados.
 
Vamos agora, abordar uma diretoria de primeiro time de uma boa empresa. Uma vez por ano eles se reúnem de forma isolada para fazer o planejamento estratégico. Quando dão por terminados os trabalhos, os “papeis” onde foi registrado o planejamento, toma ares de pergaminhos. Dia-a-dia ganham uma sacralidade indubitável e todos são cobrados pelos resultados e pela implantação das estratégias contidas no sacro planejamento anual. Qualquer crítico perguntará sobre a metodologia utilizada e pelo conhecimento de utilização das mesmas, bem como, sobre o conhecimento das tendências das praças ou regiões a serem trabalhados, a qualificação humana para o esforço de metas e outras tantas questões que empresas brasileiras não fazem.
 
Outra questão interessante: Por que a contratação de jovens ao invés de pessoas mais experientes, assim como eu, por exemplo? Antigamente falava-se sobre o tempo de produtividade na empresa, sendo desvantagem contratar um profissional prestes a se aposentar. As notícias falam que o tempo médio de empregabilidade no Vale do Silício e de oito meses. O tempo médio de duração de um contrato para um CEO, nos dias atuais, é de dois anos. Qualquer pessoa que veja currículos vai perceber uma drástica redução no tempo médio de relação de emprego. Mas continuam preferindo os jovens, por questões diversas: salários menores, maior facilidade de manobra, assinam qualquer coisa no dia seguinte a uma balada e por aí vai.
 
Ainda sobre o parágrafo acima, quem vai trabalhar, sabendo não haver vínculos de permanência e assumir os riscos de não atingir os objetivos acordados na contratação. Percebe-se um grande número de fraudes de dirigentes em todos os setores da economia. A bolha do mercado americano em 2008, que causa reflexos ainda hoje, foi fruto de uma mega especulação que deixou investidores com papel podre nas mãos. Mas os executivos, mesmo de empresas tecnicamente falidas e socorridas pelos Estados, cumpriram as metas e receberam seus bônus.
 
Será que os empreendedores temem fazer parte de histórias como estas?
 
Quando me manifesto contrário ao liberalismo econômico e suas variáveis é em função da análise dos resultados globais e, fundamentalmente, pelo padrão ético que norteia a crítica liberal: é a ética do movimento, do curto prazo, do bom, ainda que esse conceito de bom, possa causar um desastre mais à frente. Ao criticar, não me torno socialista e nem deixo de acreditar no capitalismo, que em uma frase do Ex-Ministro Delfin Neto, ninguém o inventou. O capitalismo surgiu como uma natural consequência das transações comerciais.
 
Não pretendo escrever sequer um opúsculo sobre o tema, desejo apenas ensejar que meuá amigos façam uma reflexão sobre tema tão relevante, que faz a diferença entre uma corporação dinâmica, produtiva e cumpridora de suas obrigações sociais e uma fantasiosa corporação que nada tem além de papéis e gráficos.

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