Criticar não é ter opinião adversa de alguém ou da maioria,
mas um exercício da razão, fundada em valores éticos preestabelecidos, que
busca conhecer o máximo de verdade diante de qualquer tipo de manifestação ou
fenômeno. Criticar é racionalizar, raciocinar sobre um tipo de conhecimento.
Algumas profissões estão diretamente ligadas à capacidade
crítica de seus profissionais, vejam, por exemplo, o Mestre Cervejeiro e o
Enólogo, ainda podemos falar nos degustadores de café e muitos outros. A
memória olfativa é uma atividade da razão e, ao mesmo tempo, um princípio
ético, pois atribui valorações diferenciadas em função do público para o qual
se dirige o produto.
Tomemos como exemplo o enólogo; a mesma parreira produz uvas
com muitas variações aromáticas e de açúcares de um ano para o outro. Logo, a
cada ano, o enólogo se deparará com características diferentes no produto
final, portanto, sua missão é avaliar criticamente a verdade do produto e
decidir o padrão e as alternativas viáveis: engarrafar com a rotulagem normal,
levar o produto a uma feira ou concurso, misturar com outra safra da mesma uva,
utilizar em produtos misturados (o mercado usa as terminologias corte ou
seleções), ou usar outra rotulagem. As opções são do crítico a decisão é
comercial, do gestor da vinícola.
Outro exemplo vem dos experimentos de novas espécies de
frutos, solos, climas. Vejam o Vale do São Francisco, em pleno sertão
nordestino, é capaz de produzir uvas que colocaram os nossos vinhos espumantes
entre os melhores do mundo. Isso só foi possível em razão do trabalho de
críticos, que desenvolveram toda uma estrutura de pensamentos utilizando todos
os saberes tecnológicos da época.
Percebe-se de plano, que qualquer empreendedor sério possui
um aguçado senso crítico, sem o qual, o fracasso é inevitável. De modo geral,
esse é o motivo pelo grande número de pequenas empresas não sobreviverem aos
dois primeiros anos de mercado. Também é muito frágil o momento de uma média
empresa alçar ser uma grande empresa, o empreendedor, que tinha um espaço
complementar em seu segmento de mercado, passa a disputar diretamente com
grandes corporações. É necessário uma ampla avaliação crítica despojada de
qualquer tipo de vaidade ou sonho, para pretender se manter vivo no mercado.
Pelo exposto, deve-se descartar do termo crítico o
pessimismo, a reclamação e, especialmente, a rabugice. Quem vive achando que
tudo vai dar errado, que sempre enxerga um defeito ou falha em qualquer coisa,
ou que vive reclamando de tudo e todos, não tem nenhum senso crítico, ao
contrário tem problemas psicológicos ou psiquiátricos.
Concluindo, ser crítico é inteiramente compatível com qualquer atividade
humana, ou ainda, seria desejável que todas as atividades humanas passassem por
um processo crítico. A nossa esperança não
pode ser somente um sonho de ideias brilhantes, mas uma força vital da razão
que nos impulsiona a trabalhar em favor de nosso futuro e do nosso próximo, dia
após dia.
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