O tempo é um eterno fugitivo, por isso, a vida deve ser intensa e a intensidade de viver advém de valores benéficos a sua continuidade, pois o dia seguinte está por amadurecer e deverá ser vivido com a mesma intensidade de hoje. Tempus Fugit, Carpe Diem.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SER CRÍTICO II – A DEFINIÇÃO


Criticar não é ter opinião adversa de alguém ou da maioria, mas um exercício da razão, fundada em valores éticos preestabelecidos, que busca conhecer o máximo de verdade diante de qualquer tipo de manifestação ou fenômeno. Criticar é racionalizar, raciocinar sobre um tipo de conhecimento.

Algumas profissões estão diretamente ligadas à capacidade crítica de seus profissionais, vejam, por exemplo, o Mestre Cervejeiro e o Enólogo, ainda podemos falar nos degustadores de café e muitos outros. A memória olfativa é uma atividade da razão e, ao mesmo tempo, um princípio ético, pois atribui valorações diferenciadas em função do público para o qual se dirige o produto.

Tomemos como exemplo o enólogo; a mesma parreira produz uvas com muitas variações aromáticas e de açúcares de um ano para o outro. Logo, a cada ano, o enólogo se deparará com características diferentes no produto final, portanto, sua missão é avaliar criticamente a verdade do produto e decidir o padrão e as alternativas viáveis: engarrafar com a rotulagem normal, levar o produto a uma feira ou concurso, misturar com outra safra da mesma uva, utilizar em produtos misturados (o mercado usa as terminologias corte ou seleções), ou usar outra rotulagem. As opções são do crítico a decisão é comercial, do gestor da vinícola.

Outro exemplo vem dos experimentos de novas espécies de frutos, solos, climas. Vejam o Vale do São Francisco, em pleno sertão nordestino, é capaz de produzir uvas que colocaram os nossos vinhos espumantes entre os melhores do mundo. Isso só foi possível em razão do trabalho de críticos, que desenvolveram toda uma estrutura de pensamentos utilizando todos os saberes tecnológicos da época.

Percebe-se de plano, que qualquer empreendedor sério possui um aguçado senso crítico, sem o qual, o fracasso é inevitável. De modo geral, esse é o motivo pelo grande número de pequenas empresas não sobreviverem aos dois primeiros anos de mercado. Também é muito frágil o momento de uma média empresa alçar ser uma grande empresa, o empreendedor, que tinha um espaço complementar em seu segmento de mercado, passa a disputar diretamente com grandes corporações. É necessário uma ampla avaliação crítica despojada de qualquer tipo de vaidade ou sonho, para pretender se manter vivo no mercado.

Pelo exposto, deve-se descartar do termo crítico o pessimismo, a reclamação e, especialmente, a rabugice. Quem vive achando que tudo vai dar errado, que sempre enxerga um defeito ou falha em qualquer coisa, ou que vive reclamando de tudo e todos, não tem nenhum senso crítico, ao contrário tem problemas psicológicos ou psiquiátricos.

Concluindo, ser crítico é inteiramente compatível com qualquer atividade humana, ou ainda, seria desejável que todas as atividades humanas passassem por um processo crítico. A nossa esperança não pode ser somente um sonho de ideias brilhantes, mas uma força vital da razão que nos impulsiona a trabalhar em favor de nosso futuro e do nosso próximo, dia após dia.

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