O tempo é um eterno fugitivo, por isso, a vida deve ser intensa e a intensidade de viver advém de valores benéficos a sua continuidade, pois o dia seguinte está por amadurecer e deverá ser vivido com a mesma intensidade de hoje. Tempus Fugit, Carpe Diem.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

AINDA SOBRE SACOLAS E SACOLINHAS


Sou defensor contumaz da preservação da natureza como princípio fundante do direito da vida e da dignidade humana. Os seres humanos são por natureza extrativistas, não comemos, nem bebemos e não respiramos sem que a natureza nos forneça os elementos essenciais à vida. Com o desenvolvimento do conhecimento e a proliferação da espécie humana criamos o cultivo e as diversas indústrias, que são grandes processadoras de elementos encontrados ou cultivados na natureza.

Embora o assunto seja específico, ou seja, em relação às sacolas plásticas de mercado, defendo uma hermenêutica mais ampla, qual seja: os movimentos políticos e econômicos nos fazem de bobos e nos geram ônus financeiro e dispêndio de tempo com campanhas estapafúrdias que em nada ajudam a melhorar a consciência da população e, muito menos, contribuir para a recuperação da natureza ou do ecossistema.  “A Prefeitura convoca as crianças para plantar mudas de árvore”, “façamos a caminhada pela natureza”, “grande expedição pela Mata Atlântica”. Agora é a vez das sacolas plásticas e o cidadão será obrigado a dar o seu jeito ou se valer do jeito proposto, que é comprar uma sacola retornável.

Não tenho dúvidas que cada cidadão deve se sacrificar para a recuperação da natureza, não podemos viver sem água, ar e alimento. Porém, propus uma reflexão mais ampla e vou sustentá-la outra vez. Por mais falta de consciência ou, até mesmo, de pudores, dos cidadãos, a capacidade de destruição do ecossistema é mínima, comparada com as atividades econômicas e políticas. As atividades econômicas geram empregos e riquezas para o país e a atividade política gera tributação sem a correspondente prestação de serviços. Se exigida, a atividade econômica reduz os processos destruidores do ambiente a níveis aceitáveis, ou perto de zero, se estimulada, as atividades econômicas desenvolvem projetos de recuperação e preservação do ecossistema. E a atividade política faz o que? Além de tributar as atividades econômicas e os cidadãos de forma direta e indireta, retiram do erário público os recurso para o financiamento dos Partidos Políticos e suas campanhas a cargos públicos, bem como para o enriquecimento pessoal.

Então eu não quero fazer mais sacrifícios enquanto não houver uma mobilização da sociedade contra a ociosidade política e a patifaria dos políticos brasileiros. Existe dinheiro para a implantação de usinas de transformação do lixo, bem como da implantação da coleta seletiva. Vejam o escândalo envolvendo o Carlinhos Cachoeira; é sobre coleta de lixo!

O lixo, em geral, é matéria prima para o desenvolvimento econômico, mas custa caro a implantação de uma boa infraestrutura e não rende votos, pois depois de implementado todos os processos, é como o cano de água, esgoto e gás, que correm no subsolo e ninguém sabe mais que político promoveu a obra. Político experiente constrói viadutos e colocam enormes placas para que a população não esqueça seu nome.

É do meu tempo de juventude levar as sacolas para feiras-livres e mercados, ainda não havia os supermercados, refrigerantes e cervejas eram vendidas em garrafas de vidro retornáveis e os chamados “cascos de bebidas” eram pagos. Foi uma boa época!

Não posso apoiar a destruição do nosso planeta, por isso, aproveito o desconforto causado pelo cinismo do poder público em retirar as sacolinhas plásticas e alertar aos amigos que isso e nada é a mesma coisa, se não exigirmos pelos meios legais, que os nossos representantes políticos não nos desonrem e nem nos façam de tolos, ou no dizer de Nietzsche, de rebanhos.

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