Sou defensor
contumaz da preservação da natureza como princípio fundante do direito da vida
e da dignidade humana. Os seres humanos são por natureza extrativistas, não
comemos, nem bebemos e não respiramos sem que a natureza nos forneça os
elementos essenciais à vida. Com o desenvolvimento do conhecimento e a
proliferação da espécie humana criamos o cultivo e as diversas indústrias, que
são grandes processadoras de elementos encontrados ou cultivados na natureza.
Embora o
assunto seja específico, ou seja, em relação às sacolas plásticas de mercado,
defendo uma hermenêutica mais ampla, qual seja: os movimentos políticos e
econômicos nos fazem de bobos e nos geram ônus financeiro e dispêndio de tempo
com campanhas estapafúrdias que em nada ajudam a melhorar a consciência da
população e, muito menos, contribuir para a recuperação da natureza ou do ecossistema.
“A Prefeitura convoca as crianças para
plantar mudas de árvore”, “façamos a caminhada pela natureza”, “grande
expedição pela Mata Atlântica”. Agora é a vez das sacolas plásticas e o cidadão
será obrigado a dar o seu jeito ou se valer do jeito proposto, que é comprar
uma sacola retornável.
Não tenho
dúvidas que cada cidadão deve se sacrificar para a recuperação da natureza, não
podemos viver sem água, ar e alimento. Porém, propus uma reflexão mais ampla e
vou sustentá-la outra vez. Por mais falta de consciência ou, até mesmo, de
pudores, dos cidadãos, a capacidade de destruição do ecossistema é mínima,
comparada com as atividades econômicas e políticas. As atividades econômicas
geram empregos e riquezas para o país e a atividade política gera tributação
sem a correspondente prestação de serviços. Se exigida, a atividade econômica
reduz os processos destruidores do ambiente a níveis aceitáveis, ou perto de
zero, se estimulada, as atividades econômicas desenvolvem projetos de
recuperação e preservação do ecossistema. E a atividade política faz o que?
Além de tributar as atividades econômicas e os cidadãos de forma direta e
indireta, retiram do erário público os recurso para o financiamento dos
Partidos Políticos e suas campanhas a cargos públicos, bem como para o
enriquecimento pessoal.
Então eu não
quero fazer mais sacrifícios enquanto não houver uma mobilização da sociedade
contra a ociosidade política e a patifaria dos políticos brasileiros. Existe
dinheiro para a implantação de usinas de transformação do lixo, bem como da
implantação da coleta seletiva. Vejam o escândalo envolvendo o Carlinhos
Cachoeira; é sobre coleta de lixo!
O lixo, em
geral, é matéria prima para o desenvolvimento econômico, mas custa caro a
implantação de uma boa infraestrutura e não rende votos, pois depois de
implementado todos os processos, é como o cano de água, esgoto e gás, que
correm no subsolo e ninguém sabe mais que político promoveu a obra. Político
experiente constrói viadutos e colocam enormes placas para que a população não
esqueça seu nome.
É do meu
tempo de juventude levar as sacolas para feiras-livres e mercados, ainda não havia
os supermercados, refrigerantes e cervejas eram vendidas em garrafas de vidro
retornáveis e os chamados “cascos de bebidas” eram pagos. Foi uma boa época!
Não posso
apoiar a destruição do nosso planeta, por isso, aproveito o desconforto causado
pelo cinismo do poder público em retirar as sacolinhas plásticas e alertar aos
amigos que isso e nada é a mesma coisa, se não exigirmos pelos meios legais,
que os nossos representantes políticos não nos desonrem e nem nos façam de
tolos, ou no dizer de Nietzsche, de rebanhos.
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