Líderes não são feitos, nascem líderes e poderão ou não
liderar algum grupo. Aos líderes precisamos ofertar o ensino libertador, jamais
o doutrinador. Essa pequena diferença conceitual faz com que os líderes se
moldem ou se acovardem diante das exigências corporativas; na hipótese de não
acontecer nem a moldagem e nem a covardia, ele é mandado embora.
Tem muitos anos quando, pleiteando uma vaga de executivo,
fui à São Paulo e passei de nove horas da manhã até cerca de quinze horas
fazendo entrevistas. Em seguida a última entrevista, recebi um papel e uma
caneta Bic azul com o desafio de fazer uma redação. Quem olhar meu perfil
poderá verificar que tenho uma produção literária razoável, contudo, conhecendo
algumas das áreas dos saberes humanos, achei um absurdo científico o conjunto
da obra, ou seja, a falta de lógica propositada na sequência das entrevistas e
o tema, bem como, o momento em que solicitaram a redação. E foi isso que
escrevi na redação.
Monica, gostei muito do artigo, porém, gostei muito mais do
tema. É muito oportuno! Líderes decidem, em situação de urgência, assumem até a
responsabilidade dos acionistas; são proativos e inovadores; precisam ser
convencidos pela razão, jamais pela hierarquia ou ameaça de perder o emprego.
Um trabalhador líder não se amolda a cumplicidade imbecil, potencialmente
predadora da dignidade das pessoas.
Mas as corporações, por seus agentes diretivos, não desejam
realmente a presença de líderes. Vivemos uma derivação do fordismo e todo o
foco da educação está voltado para a funcionalidade, que, a meu sentir, não é
apenas técnica, mas, sobretudo, comportamental.
Li ontem um artigo do Lenio Luiz Streck: Procurador de
Justiça no Rio Grande do Sul, Doutor e pós-Doutor em Direito: "[...] essa
Justiça em constante transição simbólica precisa realizar uma filtragem
hermenêutico-constitucional dos tipos penais que aí estão, para que abandonemos
o modelo de proteção máxima do “ter” e o desrespeito com o “ser” (humano)".
"[...] O que quero denunciar é que se coloca uma espécie de alternativa
ruim para a vítima: “Não dê mole para o assaltante...; não aparente posses
etc.” Com isso, inverte-se a relação que está lá na Constituição: há um direito
fundamental à segurança pública. O sujeito é assaltado e se diz: “Também... o
trouxa ficou dentro do carro... veio o assaltante e, bingo (!), consumou o
ato.” É?! Quem sabe podemos ler isso de modo diferente? É um direito do cidadão
andar por aí, pelas ruas etc. É o Estado que deve dar segurança para o cidadão.
O cidadão está certo. O assaltante, não. O quero dizer é que isso deve ser
comunicado à vítima. O cidadão deve saber que o Estado se importa com
ele."
Essa inversão de valores denunciada pelo Dr. Streck em relação ao Estado
e a cidadania, ocorre, de igual modo, com os líderes que se deixam perceber no
mundo corporativo. Fui mandado embora! Mas, também, veja o que você fez.
Reclamar do não pagamento de horas extras para o seu setor! E incluindo todo
mundo! Absurdo.
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