O tempo é um eterno fugitivo, por isso, a vida deve ser intensa e a intensidade de viver advém de valores benéficos a sua continuidade, pois o dia seguinte está por amadurecer e deverá ser vivido com a mesma intensidade de hoje. Tempus Fugit, Carpe Diem.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

CORRUPÇÃO UMA EPIDEMIA SOCIAL


A corrupção deixa de ser somente um crime e assume características de uma doença social, quando já não se consegue perceber o que é certo e errado, percebe-se, apenas, o que é bom ou não é. O bom evolui para o senso comum e, o que deveria ser um ato moralmente reprovável, além de ser um tipo penal, passa a ser aceito como uma norma de conduta social em defesa dos interesses individuais.

 Vejo uma clara diferença entre o caixa de mercearia, que oferece desconto ao cliente para não registrar a venda, como também, o cidadão de média renda que é extorquido em R$ 50,00 pelas autoridades policiais em razão do não pagamento do defenestrado e inconstitucional IPVA (4% do valor do veículo, arbitrado pelas SEF) e, aqueles, que pelo poder que possuem, assaltam milhões do erário.

Mas a causa é a mesma, o poder de realização é que é diferente. Nossa sociedade incorporou na moral e nos bons costumes que levar vantagem, ainda que de forma ilícita, é uma coisa normal. Se é de conhecimento público que todas as campanhas políticas são financiadas pelo erário, através de corrupção e lavagem de dinheiro, não se explica os seguidos escândalos mais recentes. Os fatos deveriam ser encarados como consequências normais de quem foi pego.

Vejamos um recente escândalo, reincidente em áreas rurais. O Poder Executivo Liberou uma fortuna para as obras do PAC, no caso em tela. trata-se da construção de residências para pessoas de baixa renda. Não me atrevo a imaginar o quanto de recursos foram desviados, mas, de certo que os registros fotográficos de representantes e autoridades brasileiras na Europa, não revelaram, tão somente, uma incontrolável paixão pelos esportes. No mês de agosto a grande mídia carioca, em reportagem investigativa, divulgou que os beneficiados pelas unidades residenciais, embora impedidos por Lei e contrato, estavam vendendo as unidades. Em alguns conjuntos residenciais já se formara uma espécie de cooperativa de venda.

A mídia se calou, pois a responsabilidade legal pela fiscalização é do Estado, como não há interesse no confronto com o atual Governador, o assunto foi esquecido.

Ao meu sentir, a sustentabilidade econômica, produtiva e desenvolvimentista; qualidades econômicas inerentes aos seres humanos, passam pelo Estado Político, pelo Estado Legislador e Julgador, pela economia privada e pela sociedade num todo. Numa visão mais abrangente, a sustentabilidade econômica não é mais uma opção, é um imperativo planetário. Claro que ampliamos o tema a microrregiões e consideramos o Princípio da Dignidade da Vida Humana, que é mais abrangente do que somente a dignidade da pessoa humana.


Se a contaminação pela corrupção, que nasce das relações dos entes públicos  com os entes privados, em torno dos grandes interesses econômicos e atinge a sociedade num todo, passando a ser a "regra" ou o senso comum, como obter-se uma mudança de paradigmas que inclua de fato e de direito a sustentabilidade nas ações econômicas?

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