A corrupção deixa de ser somente um crime e assume
características de uma doença social, quando já não se consegue perceber o que
é certo e errado, percebe-se, apenas, o que é bom ou não é. O bom evolui para o
senso comum e, o que deveria ser um ato moralmente reprovável, além de ser um
tipo penal, passa a ser aceito como uma norma de conduta social em defesa dos
interesses individuais.
Vejo uma clara diferença entre o caixa de mercearia,
que oferece desconto ao cliente para não registrar a venda, como também, o
cidadão de média renda que é extorquido em R$ 50,00 pelas autoridades policiais
em razão do não pagamento do defenestrado e inconstitucional IPVA (4% do valor
do veículo, arbitrado pelas SEF) e, aqueles, que pelo poder que possuem,
assaltam milhões do erário.
Mas a causa é a mesma, o poder de realização é que é
diferente. Nossa sociedade incorporou na moral e nos bons costumes que levar
vantagem, ainda que de forma ilícita, é uma coisa normal. Se é de conhecimento
público que todas as campanhas políticas são financiadas pelo erário, através
de corrupção e lavagem de dinheiro, não se explica os seguidos escândalos mais
recentes. Os fatos deveriam ser encarados como consequências normais de quem
foi pego.
Vejamos um recente escândalo, reincidente em áreas rurais. O
Poder Executivo Liberou uma fortuna para as obras do PAC, no caso em tela.
trata-se da construção de residências para pessoas de baixa renda. Não me
atrevo a imaginar o quanto de recursos foram desviados, mas, de certo que os
registros fotográficos de representantes e autoridades brasileiras na Europa,
não revelaram, tão somente, uma incontrolável paixão pelos esportes. No mês de
agosto a grande mídia carioca, em reportagem investigativa, divulgou que os
beneficiados pelas unidades residenciais, embora impedidos por Lei e contrato,
estavam vendendo as unidades. Em alguns conjuntos residenciais já se formara
uma espécie de cooperativa de venda.
A mídia se calou, pois a responsabilidade legal pela
fiscalização é do Estado, como não há interesse no confronto com o atual
Governador, o assunto foi esquecido.
Ao meu sentir, a sustentabilidade econômica, produtiva e
desenvolvimentista; qualidades econômicas inerentes aos seres humanos, passam
pelo Estado Político, pelo Estado Legislador e Julgador, pela economia privada
e pela sociedade num todo. Numa visão mais abrangente, a sustentabilidade
econômica não é mais uma opção, é um imperativo planetário. Claro que ampliamos
o tema a microrregiões e consideramos o Princípio da Dignidade da Vida Humana,
que é mais abrangente do que somente a dignidade da pessoa humana.
Se a contaminação pela corrupção, que nasce das relações dos entes públicos com os entes privados, em torno dos grandes
interesses econômicos e atinge a sociedade num todo, passando a ser a
"regra" ou o senso comum, como obter-se uma mudança de paradigmas que
inclua de fato e de direito a sustentabilidade nas ações econômicas?
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