O tempo é um eterno fugitivo, por isso, a vida deve ser intensa e a intensidade de viver advém de valores benéficos a sua continuidade, pois o dia seguinte está por amadurecer e deverá ser vivido com a mesma intensidade de hoje. Tempus Fugit, Carpe Diem.

sábado, 3 de agosto de 2013

O Mercado Publicitário e as Novas Tecnologias.Desafios de uma nova Era.


Por Bernardo Winter

Aluno de Publicidade

Universidade Veiga de Almeida

 

Resumo:

            No presente artigo, serão abordadas questões sobre alguns desafios do mercado publicitário diante das novas tecnologias alcançadas pelo mundo, o novo público que se forma a cada dia, o ponto de vista dos clientes e as previsões de crescimento do mercado publicitário online no Brasil.

Palavras - Chave: Publicidade, Novas Tecnologias, Mercado Publicitário.


I - Introdução:

            No dia 06/04/2013, em Belo Horizonte, foi realizado o Encontro Nacional das Lideranças Regionais da Propaganda Brasileira, onde muito se discutiu sobre o que o mercado publicitário pode esperar para o futuro, a começar pelo ano de 2013.

Uma das questões em pauta foi o comportamento desse mercado, que depende de espaço em mídia a fim de atingir seus públicos alvos, diante das novas mídias.

Os públicos estão mais interativos, inteligentes e os clientes pedem, das agências, maior conhecimento sobre o público alvo. Em linhas gerais, as dúvidas persistentes são, desde como agir em mídias em que as propagandas são baratas, e muitas vezes evitadas pelos usuários; como ser atraente sem cansar ou sem fazer um marketing negativo da sua marca; e se as faculdades estão formando novos profissionais capacitados para essa mudança mercadológica.


Desenvolvimento :

 - Mídias sociais 1.0:

            As mudanças tecnológicas nas mídias usadas pelo mercado publicitário começaram com o advento da web 2.0 e do celular como bem de consumo de fácil acesso a população mundial, onde, o público consumidor passa a desenvolver, não apenas o papel de receptor de mensagens, mas também de emissor, uma vez que publica e divide suas opiniões sobre os produtos consumidos na rede.

            As principais ferramentas para isso são o Orkut, Facebook, Youtube e Twitter. Esses quatro espaços online exemplificam perfeitamente a interatividade e o perfil do novo público formado.

            Permitindo total interação e liberdade de publicação dos usuários, a web 2.0 tornou-se uma poderosa fonte de pesquisa sobre o comportamento dos consumidores e sobre as tendências a serem seguidas. Sem demorar, as redes sociais abriram espaços publicitários, transformando-as em grandes ferramentas midiáticas.

            Com o ganho de força das mídias online, e a interação das mesmas com as mídias off-line, o mercado passa a observar ainda mais seu público individualmente, e não apenas em massa. Novos produtos são criados, escolhidos e customizados pelo consumidor.

            Hoje esse tipo de mercado no Brasil está em tamanha expansão, que pesquisas afirmam que a Publicidade Online deve gerar cerca de US$ 3 Bilhões em 2014, no Brasil, segundo matéria divulgada no site IDGNow!.

"Em 2013, segundo o relatório, o crescimento será de 20%, levando o faturamento publicitário digital a 2,49 bilhões de dólares. A previsão para 2014 é de um crescimento de 28%, fazendo com que o país atinja os 3 bilhões de dólares em publicidade digital."


Ainda sobre novas tecnologias, o mercado de Publicidade Móvel  também deve crescer no cenário brasileiro, segundo pesquisa publicada pelo ADNEWS.

"Já a publicidade móvel (smartphones e tablets) fecha 2012 no Brasil com faturamento em 24,6 milhões de dólares (1,2% do investimento digital). Em 2016, este mercado deverá representar 5% de todo o investimento online, atingindo 198,3 milhões de dólares."


  - Mídias sociais 1.1:         

            Apesar disso, recentemente, o diretor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Hiran Castello Branco, comentou durante o Encontro Nacional das Lideranças Regionais da Propaganda Brasileira, sobre o comportamento do mercado publicitário com relação às novas tecnologias, e as mudanças que devem ocorrer.

"Como existem coisas muito antigas que ainda funcionam no Brasil, existe a ilusão de que não precisa mudar e estamos bem atrasados”, afirma. “É preciso nos preocuparmos com a absorção de tecnologia, mas também com a verdadeira função e o que ela faz por um negócio, trazendo uma revalorização da publicidade', completa."

            Hoje, o profissional de Publicidade não deve deter-se a entender apenas de propaganda, mas também de pessoas e suas tendências, uma vez que a internet é o meio mais utilizado para críticas por elas. A cada dia que passa, mais e mais usuários online postam e dividem com o mundo suas experiências com produtos e serviços adquiridos, e passam a fazer buscas online sobre futuras compras, preços e opiniões de outros tantos consumidores que já postaram suas respectivas experiências.

            Usando como exemplo a ferramenta midiática Youtube, é possível analisar um vídeo de humor que se tornou extremamente popular, onde o grupo Porta dos Fundos ironiza o atendimento das lojas Spoleto, do segmento alimentício. Em um primeiro momento o nome da loja sequer foi citado, mas pela situação dramatizada e o tipo de problema apontado, ficou claro, tanto para os usuários, quanto para a própria loja, que o problema retratado era um defeito comum aos funcionários da rede de restaurante citada.

            A partir desse ponto, a estratégia do Spoleto foi de extrema inteligência, criando, junto ao grupo Porta dos Fundos, outros dois vídeos do mesmo tipo, utilizando a marca do restaurante, e mostrando ao usuário que sim, eles reconheceram o problema, e passam então a disponibilizar um canal direto com seu consumidor para que ele possa denunciar tal situação, caso ela ocorra.

            Isso é um exemplo de estratégia de Marketing Online que os profissionais precisam saber hoje em dia. De nada adiantaria bater de frente ou negar o problema retratado, uma vez que milhares de consumidores identificaram a marca e concordaram com a mensagem transmitida pelo vídeo, mesmo sem que fossem citados nome ou logo da loja.
 
Conclusão:

            O uso da tecnologia no mercado publicitário é, sem dúvida, uma "faca de dois gumes". Por um lado, é possível pesquisar o target da empresa com precisão e criar ações promocionais e estratégias de propagandas devidamente direcionadas para esse público específico. Além disso, o contato direto com seu grupo de consumidores e até mesmo a customização individual de um determinado produto para venda são opções fortes e possíveis, graças a evolução tecnológica. Cliente e consumidor estão mais próximos do que nunca.

            Por outro lado, a manutenção constante da imagem da empresa é fundamental. Hoje, é fácil perder credibilidade no mercado por conta de um grupo insatisfeito de consumidores que possam postar suas críticas e suas experiências com seu produto. É preciso atentar-se a essas postagens e gerar respostas positivas e eficazes o quanto antes.

            Vale lembrar que novos concorrentes também se aproveitam das novas tecnologias para entrar de forma mais rápida no mercado e ganhar visibilidade do público de forma mais rápida e eficaz, através de promoções e pesquisas mercadológicas feitas com o público online.

            Ainda há muito o que evoluir nas questões de publicidade online. Tanto empresas, profissionais e estudantes precisam dominar a publicidade online, a estratégia de marketing e a pesquisa mercadológica, a fim de obter um resultado final positivo para seus clientes, consumidores e as próprias agências.


Referências:

IDGNow!:


PaperCliq Comunicação e Estratpegia Digital:


ABRACOM:
http://www.slideshare.net/evasques/como-as-agncias-de-comunicao-entendem-a-comunicao-digital

sábado, 22 de junho de 2013

EM 30 DE NOVEMBRO DE 2011 ESCREVI...

 
Escrevi como um lembrete para desenvolver um artigo. Não percebi que o texto já estava pronto.


Só falando;

Só saindo nas ruas e nas mídias;
 
Só havendo clara manifestação de vontade é que se combate a corrupção.

Wagner Winter

sábado, 6 de abril de 2013

O SAMBA DO AFRODESCENDENTE COM PERTURBAÇÕES PSÍQUICAS


Foi o próprio Nelson Rodrigues que se autodefiniu como um menino que enxerga a vida pelo buraco da fechadura da porta. Nelson Rodrigues foi de uma originalidade incontestável em razão de seu peculiar estilo literário, contudo, os fatos narrados, nascem de sua sagaz observação do comportamento social fora dos olhares do público, longe do ambiente formal, razão pela qual ele ilustra sua percepção com o “olhar pelo buraco da fechadura”.

O que me fez lembrar a figura de Nelson Rodrigues foi uma notícia na primeira página do jornal digital Correio do Brasil de ontem, 05 de abril de 2013, onde estava estampada a chamada: “Jornalista agredido na sede do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) denuncia falta de respeito com trabalhador”. A notícia, que preciso reproduzi-la “in verbis”, é a seguinte:

[...] “Ao servidor do Ministério do Trabalho Sérgio Rodrigues, encarregado de recepcionar as pessoas e lhes dirigir ao setor correto para serem atendidas, coube apenas ouvir as lamentações e, ao tentar explicar o que estava ocorrendo no local, conseguiu apenas deixar o público ainda mais irritado.
– Tenho que reconhecer que há uma falta de organização do serviço. Passam por aqui, por dia, mais de 200 pessoas, mas o sistema da Caixa Econômica Federal está com problemas há mais de um mês. Um simples documento que o trabalhador precisa retirar, na agência que fica aqui no térreo, demora horas. Além disso, falta pessoal para atender ao público. Muita gente pediu demissão, saiu devido aos baixos salários e foi buscar emprego onde ganha um pouco mais. Sem contar o pessoal que saiu de férias, sem que alguém substituísse as posições em aberto – afirmou.
A explicação do responsável pelo setor, Ricardo Leite, para a falta de atendimento ao público não foi muito mais longe.
Dependemos da Caixa para liberar os documentos e, devido à série de problemas na área de informática, acaba atrasando também o serviço da gente aqui – repetiu.
Enquanto o repórter ouvia ao público e aos funcionários do MTE, no entanto, foi abordado pelo agente de segurança do Tribunal Regional do Trabalho Jorge Nelson que, visivelmente alterado, tentou impedir que a reportagem do Correio do Brasil fosse adiante. Interpelado com grosseria e instado a deixar o local, imediatamente, o jornalista recusou-se a abandonar a matéria em curso, no que recebeu o apoio das mais de 40 pessoas que já se aglomeravam no local, após ouvir do policial que o repórter eraum agitador subversivo”. Diante da recusa de Gilberto de Souza, Nelson desferiu um violento soco na direção do repórter, atingindo-o na altura do pescoço e quebrando-lhe os óculos que estavam afixados na camisa.
– Não revidei de imediato porque, em uma fração de segundos, percebi que, se devolvesse a agressão a um agente federal, uniformizado, poderia receber voz de prisão ali mesmo e, assim, o agressor teria conseguido o seu intento, que era o de impedir que continuasse com a reportagem. Em vez de me envolver na briga, fiz melhor: liguei para o telefone da Polícia Militar, o 190, e relatei ao atendente que acabara de ser agredido por um segurança do Tribunal Regional do Trabalho – relata o editor-chefe do CdB.
A atitude do jornalista irritou ainda mais o agressor, que precisou ser contido por outros seguranças presentes na confusão. Em cerca de 10 minutos, no entanto, o sargento PM Moreno compareceu ao local e, após ouvir os relatos de ambas as partes, encaminhou o caso à Delegacia da Polícia Federal, na Praça Mauá, por se tratar de uma agressão cometida por um agente federal. Uma vez na sede da PF, o delegado Flávio Assis Gomes Furtado abriu o Registro de Ocorrência de número 576/2013, para que as testemunhas do fato possam falar em um processo contra o agressor, que poderá ser punido até com a demissão do cargo que ocupa no TRT, multa e prisão administrativa.” [...].

A notícia, se formatada em estilo de literatura dramática, caberia de maneira ululante no acervo literário de Nelson. Pessoas do povo chegando ao Ministério do Trabalho e Emprego na madrugada e esperando o dia inteiro para serem atendidas; um repórter investigativo protagonizando a dramaturgia adentra o MTE e mobiliza os do povo a pensar; Sérgio Rodrigues, ator coadjuvante, tenta explicar que nada está funcionando e que os funcionários do MTE pediram demissão por ganharem salários aviltantes; o sistema da Caixa Econômica não funciona...; quando então, surge Jorge Nelson, o vilão, que aplica violento soco no reporte, defenestrando seus óculos apensos ao bolso de sua camisa. Dando uma prova de civilidade, o reporte utiliza o telefone, que felizmente funcionou, ligando para a Polícia Militar. Na sequência, o Sargento Moreno ouve as partes (sensacional!) e decide encaminhar o caso à Delegacia da Polícia Federal (uma aula de jurisdição).

Essa estapafúrdia história acontece diariamente em cidades brasileiras. Só não chegam às mídias por falta de repórteres investigativos denunciando e estimulando o povo a pensar sobre o que o Estado está fazendo com os cidadãos brasileiros. Jorge Nelson e Moreno são símbolos dos profissionais da área de segurança que tanta insegurança transmitem ao povo, para não usar a expressão medo. E a qualidade do serviço público no país que mais cobra tributos e aplica multas é inversamente proporcional aos valores arrecadados, podendo ser considerados como infração constitucional e penal, pois atingem o princípio da dignidade humana e funcionam como tribunais de exceção na medida em que sentenciam o cidadão a não usufruir direitos assegurados em Leis, os quais, em muitos casos, são direitos deveres, ou seja, uma obrigação criada por uma Lei.


Não consegui pensar em outro título para este texto se não “O Samba do Crioulo Doido” de Stanislaw Ponte Preta (Sérgio Porto). É uma doideira que poderia virar samba, então optei pelo plágio, ainda que mudando as palavras, mas poderia criar outro título, quem sabe: “O Samba do País dos Tolos”, ou ainda, “A Demência do Povo no Estado do Samba”.

domingo, 17 de março de 2013

PENSANDO NOS EDUCANDOS E EDUCADORES EM SALA DE AULA


Lembro que os grandes pensadores gregos estudavam e ensinavam caminhando. O tema é muito relevante e requer um pensar profundo sobre o ambiente escolar. Ao meu sentir, as salas de aulas se equiparam a celas coletivas do sistema prisional, é uma espécie de confinamento de alunos e professores e, principalmente, da razão.

O conceito (ou objetivo) da educação é fundamental na definição de conteúdo, ambiente, método e comunicação (que pode ser entendido como ferramenta ou meio). A priori, rejeito as teorias de transmissão de conhecimentos, ou de formação de conhecimento. Por óbvio que o educar perpassa pela transmissão e pela formação de saberes, contudo, acredito na transformação evolutiva dos saberes curriculares, no desenvolvimento da consciência crítica.

Desta forma, a sala do cinema, do teatro, ou qualquer outra, pode ser uma jaula terrível, se o espectador estiver assistindo a qualquer coisa apenas pelo senso comum. Tal fato, também acontece na sala de aula e existem alunos que se perdem fora do ambiente tradicional (quem vive pelo senso comum se perde em ambientes incomuns).

Sem dúvida que é preciso repensar os objetivos (ou conceitos) da educação. Onde se pretende chegar? Pretendemos uma formação para utilização nos mercados de trabalho ou uma formação transformadora dos mercados de trabalho? Não podemos esquecer que o senso crítico incomoda; que as transformações representam novidades e, estas, inseguranças e dúvidas.

É inegável o abismo entre a teoria e a prática. No Brasil a educação é possível sob todos os pontos fundamentais e acessórios, ou seja, temos tecnologia para preparar educadores e para educar; temos recursos públicos e privados; possuímos a expertise para a educação presencial e não presencial, bem como os elementos logísticos para tal. Por que não educar?

Sabemos que não existe país desenvolvido sem alto nível educacional da população e queremos ser desenvolvimentistas semeando a ignorância na razão dos indivíduos. No Brasil, até as grandes mídias fomentam a ignorância. Podemos destacar poucas entidades educacionais cujo objetivo principal seja educar. Em geral, tais entidades de excelência educacional são Universidades, terceiro nível do processo educacional. Mínimas são as instituições de ensino fundamental e médio, chegam a ser exceção.

Mesmo existindo a consciência da necessidade de educar verdadeiramente, os brasileiros assistem a educação privada ser considerada como negócio pecuniário de um grande mercado e a educação pública como grande negócio político, também com grandes somas pecuniárias envolvidas.

Quem muda essa realidade? É necessário saber-se doente para que se tome medidas e remédios. Vivemos em uma sociedade doente de ignorância crônica. Não possuímos motivações para a difusão de saberes, muito menos para a retenção de conhecimentos. Não nos reconhecemos doentes e lançamos sobre terceiros os motivos para o colapso educacional. É o empresário cruel, avarento, ou o governo corrupto; sempre existe um culpado, menos a nossa doença.

Ensinar a sociedade a pensar criticamente é a única medicação para a educação verdadeira, é remédio eficaz, que quebra o encantamento da ignorância, os ideais da parvoíce e revela a “nudez do rei”; contesta o dogmatismo escolástico, retira a esperança do além túmulo e a traz para o mundo dos vivos. Cria cidadãos de direitos, mas, também, com deveres e responsabilidades; não existe cidadania negligente. A cidadania não é concedida, é conquistada individualmente e se torna coletiva pela soma de pessoas pensantes criticamente.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A POLÍTICA DO DIREITO


Tenho percebido uma tendência extravagante da utilização da hermenêutica política no Direito Pátrio, e mais, os Poderes Políticos da República tentam de toda a sorte, constranger o Poder Judiciário, em especial, o STF. Quase as vésperas do IX Exame Unificado da OAB, diga-se de passagem, uma vergonha sem defesa, salvo na curta inteligência dos parvos; lembro-me do lobby da OAB e suas alianças que constrangeram o STF afirmar de sua constitucionalidade, verdadeiro corporativismo dos operadores do Direito. Atualmente, é senso comum que para todas as profissões liberais deveriam existir exames, como se isso fosse resolver os problemas da educação do país e permitir que os profissionais melhor preparados ingressem no mercado de trabalho gerando a exclusão dos menos capacitados. Tudo é uma grande mentira! Quem estuda para passar neste tipo de prova, não estuda o Direito. O que vale é o estoque de mais de cem mil candidatos pagando duzentos reais, três vezes por ano.

Ao findar o julgamento da AP 470 subsiste a dúvida se apenados podem perder o mandato por decisão judicial. Declarou o Presidente da Câmara dos Deputados que não respeitará a decisão do STF, caso seja declarada a perda dos mandatos. Uma insubordinação afrontosa a independência dos Poderes Republicanos. Quando os constituintes de 1988 recepcionaram o Art. 55, § 2º, o fizeram sob o efeito das trevas da ditadura militar. Observemos o fato de que o referido parágrafo trata dos incisos I, II e VI; os dois primeiros tratam de regramento comportamental e o último de condenação criminal com sentença transitada e julgada. Uma leitura mais atenta pode-se verificar a inconsistência do parágrafo segundo com o inciso VI, assim diz o texto: “Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será decidida pela Câmara dos Deputados ou pelo Senado Federal, por voto secreto e maioria absoluta, mediante provocação da respectiva Mesa ou de partido político representado no Congresso Nacional, ASSEGURADA AMPLA DEFESA”; de quem se já transitou julgado?

Para piorar, o parágrafo terceiro do mesmo artigo estabelece rito sumário declaratório da respectiva mesa da casa parlamentar quando da perda dos direitos políticos, o que acontece, entre outros motivos, quando de sentença condenatória a perda da liberdade transitada e julgada na esfera penal.

Fazendo uma retrospectiva histórica da construção do texto constitucional, o Ministro Gilmar Mendes aborda os registros dos debates desta matéria, quando da votação do texto e exara em seu voto o seguinte comentário: “Ao transpor o inciso VI (perda de mandato por condenação criminal) do § 3º (declaração da Mesa da Casa Legislativa) para o § 2º (decisão deliberativa da Casa Legislativa), o legislador constituinte acabou produzindo (ao que tudo indica de forma irrefletida e não intencional) uma real antinomia (em relação ao art. 15, III) e uma clara incongruência na sistemática de perda de mandato (ante as hipóteses de perda de mandato por improbidade administrativa e por suspensão dos direitos políticos)”. Observemos a redação do Art. 15, III: Caput. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja perda ou suspensão só se dará nos casos de: III - condenação criminal transitada em julgado, enquanto durarem seus efeitos.

Se for para vivermos sob a letra kelseniana, melhor esquecer a teoria do conhecimento, o conceito de evolução do pensamento, bem como, o desenvolvimento cultural e tecnológico. Ou então estamos enganados, a principiologia e o positivismo são chaves hermenêuticas usadas na conveniência da hora, um jogo político para subjugar o Direito.

Já existe uma longa pauta de provocações do Poder Judiciário por entes dos poderes políticos: os royalties do petróleo; denuncia do PDT sobre a segurança e possível fraude no processo eleitoral eletrônico; O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), a Confederação dos Servidores Públicos do Brasil (CSPB) e a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol) ajuizaram Ações Diretas de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal nas quais pedem que seja declarada a inconstitucionalidade da Emenda Constitucional 41/2003, a Reforma da Previdência. A alegação é a de que a matéria foi aprovada mediante compra de votos de parlamentares que eram liderados por réus condenados pela corte na Ação Penal 470, o processo do mensalão. As três ADIs foram distribuídas à ministra Cármen Lúcia (http://www.conjur.com.br/2012-dez-13/adis-questionam-reforma-previdencia-base-julgamento-mensalao); o mensalão do PSDB e por aí vai uma lista imensa.

Por mais que se deseje uma justiça célere, restando, ainda, a reforma do judiciário não iniciada, obsta contra toda possibilidade de celeridade as divergências doutrinárias e o sistema normativo do nosso Direito impregnado de pânico do último regime de exceção. Exacerba o legislador e os magistrados nas garantias individuais e coletivas, a saber, parece não existirem pessoas perversas em nosso país, tampouco psicopatas, pedófilos, organizações criminosas, quadrilhas, narcotraficantes e outros. Tamanho o pavor pela injustiça, pelo cerceamento dos direitos fundamentais que a justiça ficou curta, já se houve rumores de que a privação de liberdade não é o melhor meio de punição e sim as multas pecuniárias. Ora, no país em que impera a corrupção, quem acaba pagando as multas é o próprio erário, ou seja, a sociedade.

Se a política é a arte do possível, como definiu Otto von Bísmarck, quem sabe possamos compreender o Direito e a Jurisdição do Estado, igualmente, como a arte do possível ou a ciência do impossível.

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2012.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

OS SÍMBOLOS INDIGENTES


Hoje eu fui ao Centro da Cidade, mais precisamente à Praça XV, comprar tabacos na Tabacaria Indiana, do meu amigo Isaque. Retornando, passei em frente ao prédio da nossa OAB-RJ, que não deveria ter nenhum tipo de publicidade eleitoral, uma vez que as eleições estão acontecendo nacionalmente. Surpreendentemente, penduraram um banner cobrindo cerca de oito andares do prédio e quase a totalidade de sua fachada, com os seguintes dizeres: “A Ordem quer Progresso, e você?”.

Não sou positivista de qualquer escola, contudo, me vejo na obrigação de expor minha crença quanto a fato incontroversamente estapafúrdio praticado pelo baluarte do Direito Carioca. A parvoíce do marqueteiro só não é menor do que a dos que aprovaram o banner publicitário. Da mesma forma, não resta dúvida que a ética não é o forte dos dirigentes da OAB-RJ, que fazem pendurar exacerbado banner, opondo-se ao movimento “Cidade Limpa” que a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro tenta regulamentar, em plena campanha eleitoral e utilizando um infeliz trocadilho com um símbolo da República do Brasil.

Augusto Comte, no auge de sua curta notoriedade filosófica, afirmou que a primeira república positivista implantada, deveria estampar em sua bandeira a frase “Ordem e Progresso”, simbolizando o método científico como o fundamento de inevitável progresso econômico, tecnológico, social e outros. De certo que gostaria de ver retirada de nossa bandeira qualquer resquício do positivismo, tanto da Escola Francesa, quanto da Escola de Viena e, mesmo, da Escola Alemã, mas isso é uma coisa e outra é sacanear os Símbolos Nacionais.

Comunicamos-nos pela linguagem dos símbolos hodiernamente e a internet é uma fonte inesgotável de criação de símbolos que facilitam a redução das palavras. Mas não podemos esquecer que existem símbolos valorosos, que representam valores inalienáveis, irrevogáveis. Paradoxalmente, alguns desses importantes símbolos se vulgarizaram no tempo, perderam a essência dos valores e apenas adornam os mais diversos interesses e paixões da sociedade, se tornaram indigentes. É lamentável que a OAB-RJ de causa a indigência de um dos mais importantes símbolos de nossa República.

“A Ordem quer Progresso e você?”. “O Progresso quer Ordem e a sociedade?”. “A OAB-RJ precisa de Ordem e Progresso!”.

Wagner Winter; Rio de Janeiro, 21 de novembro de 2012.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

SOBRE A CARTA DA TERRA


Li e reli várias vezes. Não consegui imaginar além do óbvio, do bom senso; nem compreender os valores que tão lindo texto motivaram.

Poder político, poder econômico... Que poderes valem um preço tão alto?

Do egoísmo profundo, a morte, isenta a responsabilidade dos parvos que não entende nem de vida e muito menos de morte e arvoram-se em serem os responsáveis pela estabilidade das sociedades, de patrocinarem as mais relevantes conquistas tecnológicas e pensam que dominaram os segredos da vida. Ah! Se soubessem das fragilidades de Davos diante das intempéries climáticas!

Terra! Planeta único! Morada da vida que se interliga, que interage em fragmentos de energia e felicidade; cenário vivo no qual tudo se mexe, tudo é dinâmico, tudo é colorido, tudo é belo. Aconchego do lar é a casa de nossas vidas, a segurança do nosso ser. Todo o conhecimento humano está ligado a Terra por um indissolúvel cordão umbilical, pois a Terra é o útero de toda á vida, é nela que é gestado todos os saberes, toda a ciência.

Terra mãe, grávida de seres, de vidas, de não vidas, de saberes, de poesias que enternecem o cosmo e ecoam por todo o universo ao encontro da face materna criadora, numa expressão, tão simples, mas tão rica, de comunhão embevecida por tanta beleza, tanta vida.

O universo lamenta e astros se constrangem com o prenúncio da morte do mais belo dos planetas, morte sem causa cósmica, provocada pela valorização de metais, papéis, poderes, autoridades, que sucumbirão antes mesmo que a agonizante Terra se acabe.

Consumidores vorazes de seus próprios dejetos atirados nas bacias fluviais que fornecem a água que bebem e irrigam os vegetais que comem. Parece que nascemos para consumir compulsivamente, de tal forma, que comemos os próprios dedos durante as degustações avassaladoras de simples caviar, que o caiçara paulista, de maneira rotineira mistura com farinha para rechear a tainha que lhe servirá de almoço.

E o nosso sertão nordestino, terra de cabras macho, sobreviventes contumazes, artífices boiadeiros, nos dias atuais utilizam no manejo da boiada a Honda Jegue, poluindo o ar com a queima de gasolina e óleo, desfigurando a cultura popular num pragmatismo espúrio e sem sentido; inócuo, tolo. E os jegues? São vendidos clandestinamente para fabricas de salsichas financiando a manutenção das motocicletas.

Nietzsche escreveu corajosamente sobre a morte de Deus compondo, provavelmente, a mais dura e certeira crítica à religião da forma. O diabo não teve a mesma sorte, morreu sem ser criticado por ninguém de infarto agudo do miocárdio, isso em conseqüência de obesidade mórbida e diabetes. Também, “o bicho ruim” não evoluiu tecnologicamente, não buscou um MBA, não entendia nada de economia e acabou não resistindo ao poderio neoliberal americano, caindo em profunda depressão que o levou a completa inutilidade. O golpe fatal foi a ALCA, “o coisa ruim” não sabia nem para quem torcer e ficou aturdido quando um diplomata americano, ouvindo uma de suas sugestões, perguntou-lhe se ele estava ali para trabalhar ou para fazer caridade. Mas o óbito só aconteceu tempos depois, com a eleição do Bush. O “caramulhão” ia se enforcar, mas não deu tempo, enfartou.

É hora de fazer o caminho de volta, de olhar a Terra como uma dádiva divina para a gestação e manutenção da vida e que não existe nada mais precioso do que a própria vida. De compreender que a felicidade e a essência da vida não estão no consumo, nem no ter, mas na comunhão e no ser.

Diz-nos o poeta e músico Marcus Viana:
“O Arquétipo do Sagrado Coração assim se manifestou e viemos a entender a coroa de espinhos como o próprio processo dual da natureza. Numa visão primitiva seria o Bem e o Mal, Deus e o Diabo, o Ódio e o Amor, a Ignorância e o Conhecimento. Porém ao mergulhar mais fundo, além do apego às formas racionais, vimos o Tudo e o Nada; a Eletricidade e o Magnetismo, o Positivo e o Negativo, o Yang e o Ying, a Noite e o Dia, o Homem e a Mulher, o Pai, a Mãe. E no centro, o fruto do Amor das duas forças entrelaçadas do universo: o filho, a força neutra, a criação. O Coração”.

E completa com esta belíssima canção:

Quando os corações dos puros amam
Cala a imensidão, o espaço
E a eternidade ergue seu véu

Todas as coisas vivas se aquecem
Todos os olhos se iluminam
Com a luz de um outro céu

Corações selvagens
Quando batem de paixão
Acordam toda natureza
Fazem a vida renascer

Florestas que queimaram
Voltam a se vestir de verde e flor
E as fontes que secaram
Ressuscitam ribeirões

Corações selvagens
Quando ardem em paixão
Incendeiam a noite, o tempo
E cegam sóis

Estrelas são as lágrimas dos anjos
A chorar
Por não terem o corpo e a vida
E não saberem o que é amar

Amor Selvagem - Marcus Viana

Jesus Cristo nos deixou uma única receita de vida: “Ame a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” e Nietzsche completa: “Amai os distantes”. Amar-nos não é uma parvoíce romântica, ingênua, antes, é ter a mais profunda convicção do que somos e dos valores maiores da vida; do útero da mãe Terra, que nos acolheu com ternura divina em nossa gestação e nos acolherá, com a mesma ternura divina no momento de nossa última possibilidade de ser-humano.

Amor, fraternidade, cuidado, comunhão com Deus. São os elementos da nossa esperança transcritos na Carta da Terra, ou melhor, na carta para a Terra.

Wagner Winter, 24/11/2007

domingo, 28 de outubro de 2012

AS DIVERGÊNCIAS NO JULGAMENTO DO MENSALÃO


Tenho acompanhado quase todas as sessões do julgamento da AP 470 pelo STF, assim como, acompanhado pela mídia as principais repercussões. Ao meu sentir, não restam dúvidas quanto ao despreparo dos jornalistas para realizar a cobertura do julgamento e, por extensão, qualquer outra matéria ligada ao Direito. O fato parece-me grave, pois a informação divulgada por profissionais que não conseguem entender o que está acontecendo é, minimamente, uma desinformação muito perigosa, podendo macular a imagem pública do STF e do Direito. Necessário é destacar a boa cobertura da TV Justiça, mesmo não adentrando ao fulcro das divergências, mantém-se em nível técnico e pedagogicamente ao alcance do cidadão comum.

Jornalistas da Globo News destacaram  negativamente a posição do Ministro Ricardo Lewandowski no exercício de Revisor, estabelecendo o contraditório ao voto do Relator, contudo, na fase da dosimetria das penas, os mesmos jornalistas, criticam, de modo direto e ostensivo, o montante das penas aplicadas pelo Relator ao Réu Marcos Valério, chegando a qualificá-las como desumanas. É de se perguntar por onde anda a indignação da nação provocada pelas mesmas grandes mídias do País.

Povo nenhum merece confiança, as massas são desprovidas de moral, ainda que sejam grupos de profissionais, representantes de grandes corporações; já nos dizia Nietzsche. Especialmente no Brasil, o apenamento justo ou necessário, tem o condão de transformar os vilões em vítimas, merecendo a compaixão popular, sem prejuízo do sentimento de revolta quando o povo acha que, em caso de absolvição do Réu por um crime do colarinho branco, o julgamento acabou em pizza.

As divergências vistas no julgamento merecem uma, ainda que rápida e superficial, indicação de sua natureza filosófica, sob pena de ficar o povo e os jornalistas, sem saber o que leva o colegiado do STF a colisões tão opostas de valores e juízos. São divergências de natureza doutrinária, evidenciando o momento de transição filosófica do Direito Brasileiro. O Direito pátrio, em especial o Direito Penal, é fundado no positivismo de Augusto Comte (França), interpretado por Hans Kelsen (Áustria), principal jurista positivista da História do Direito. “Kelsen privou dos neopositivistas lógicos do Círculo de Viena, nutrindo a purificação das ciências em face de preocupações metafísicas, na crise epistemológica que admitia que a ciência não poderia pronunciar juízos de valor.” (Hans Kelsen e a Tradição do Direito Romano, Por Arnaldo Sampaio de Moraes Godoy, publicado no site www.conjur.com.br). Literalista e contrário à hermenêutica jurídica, os fatos precisavam preencher inteiramente os requisitos das normas jurídicas, daí, ser inconcebível a aplicação da Teoria do Domínio do Fato, bem como a aplicação pelo julgador da racionalização indutiva e dedutiva.

Ouso dizer que a visão positivista de Kelsen ficou obsoleta no tempo e espaço, mas seus seguidores ainda existem a exemplo dos Ministros do STF Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli, este último, autor de notas introdutórias na edição brasileira de 2011 da biografia de Kelsen. Naturalmente que, além dos citados ministros, muitos outros magistrados e juristas brasileiros professam o positivismo de Kelsen nos dias atuais. Tida por muitos como o “berço da cultura jurídica” brasileira, a Faculdade de São Francisco na capital paulista, é o centro mantenedor e difusor das tradições kelsenianas.

Outra linha positivista, oriunda do Direito Alemão, busca em Kant os fundamentos teóricos para o estabelecimento de sua doutrina. Ao meu sentir, Kant é o mais importante e robusto pensador do criticismo alemão e a sua obra fornece os fundamentos para todo o desenvolvimento do racionalismo positivista. Na linha do pensamento kantiano, o Direito admite a hermenêutica e ganha verdadeira metodologia científica. O fato concreto admite o conhecimento a priori e, por ser fato concreto, o conhecimento a priori se fará conhecimento analítico a partir da análise hermenêutica indutiva e dedutiva em movimento contrário. Harmoniza-se com a Teoria do Domínio do Fato, única forma conhecida para vencer determinados delitos, tais como, formação de organização criminosa, quadrilha, colarinho branco e outros, cujo núcleo mandante não realiza nenhuma operação diretamente.

Este é um simplório resumo com o propósito de destacar os reais fundamentos das divergências do STF no julgamento da AP 470. Entendido desta forma fica mais fácil compreender a razão pela qual o Ministro Toffoli não se considerou impedido para participar do julgamento, bem como, os seus votos, do Ministro Relator e dos demais Ministros mais novos a exceção do Ministro Luiz Fux, que professa a mesma escola predominante na Corte Suprema.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

ATOS POLÍTICOS NÃO SE DEFENDEM E NEM SE ATACAM, MAS É UM DEVER CÍVICO ANALISÁ-LOS. O CIDADÃO PRECISA SER O MAGISTRADO QUE JULGA OS ATOS E SEUS RESPECTIVOS EXAURIMENTOS, COM ISENÇÃO.


Mas, a contrario sensu, as pessoas deixam de exercer a cidadania, em razão de paixões impudicas que exorbitam do universo ideário das massas silenciadas pela ação predatória da capacidade racional, imposta pelos ciclópicos programas de deseducação, já presentes no Brasil quando, ainda, Província de Portugal.

Contudo, atos políticos não são, necessariamente, praticados pelos profissionais da política. Em uma visão mais abrangente, até mesmo, a omissão é um ato político, como, também, a negligência o é. Desta forma, todos os entes de uma sociedade praticam atos políticos, alguns positivos e outros negativos, proativos, reativos, ou ainda, indolentes. Todos os atos políticos podem ser positivos ou negativos, tanto no ato em si, quanto nos seus respectivos exaurimentos, a exceção dos atos indolentes, estes, sempre são negativos, de tal forma, que existem casos de não se exaurirem, necessitando de atos específicos que sustem seus efeitos.

As mídias são os veículos de comunicação dos atos políticos, contudo, também são praticantes de atos políticos, como a Revista Veja, partidária da ultra direita e manipulada por interesses mesquinhos e perversos. Sua intenção é causar o desânimo ao cidadão, gerar frustração no povo brasileiro, desacreditar as instituições nacionais que não se alinham com a extrema direita, ainda que sejam o Ministério Público Federal e o Supremo Tribunal Federal.


É um dever poder julgar os atos políticos praticados pelas mídias e realisar um ato reativo quando percebida a má fé objetiva ou não de manipular as consciências dos cidadãos, para o que declaro: a liberdade de imprensa é um direito inalienável em sua vocação informativa e manifestação clara e própria de opinião. Contudo, quando as mídias criam atos políticos, adulterando informações ou mesmo criando-as, pinçando fatos como quem retira peças de um quebra-cabeça gigante e montando outra realidade fática por supostos indícios; cessa o conceito de imprensa opondo-se a este o conceito de agente político. Desta forma, é dever poder o julgamento cidadão e, se for o caso, o julgamento judicial.

NA DEMOCRACIA SEM LEI, HÁ DE PREVALECER O MAIS FORTE; É UM TOTALITARISMO DESORGANIZADO!



Perdoem-me os liberais, mas qual a importância desta reportagem? Fontes dissimuladas, desmentidos para agências internacionais; resumindo, NADA! Desculpem, esqueci-me das eleições municipais e que o candidato liberal pós-keynesiano da Cidade de São Paulo entrou na campanha eleitoral com o paraquedas furado. Mas se o PT pode nomear um Ministro de Estado, os tucanos também podem reagir com ações contundentes, ainda que impróprias para os seres pensantes. É assim que funciona um Estado muito mais democrático do que de direito. Viva a democracia!!!

SOBRE A FALTA DE LÍDERES NOS MERCADOS


Líderes não são feitos, nascem líderes e poderão ou não liderar algum grupo. Aos líderes precisamos ofertar o ensino libertador, jamais o doutrinador. Essa pequena diferença conceitual faz com que os líderes se moldem ou se acovardem diante das exigências corporativas; na hipótese de não acontecer nem a moldagem e nem a covardia, ele é mandado embora.

Tem muitos anos quando, pleiteando uma vaga de executivo, fui à São Paulo e passei de nove horas da manhã até cerca de quinze horas fazendo entrevistas. Em seguida a última entrevista, recebi um papel e uma caneta Bic azul com o desafio de fazer uma redação. Quem olhar meu perfil poderá verificar que tenho uma produção literária razoável, contudo, conhecendo algumas das áreas dos saberes humanos, achei um absurdo científico o conjunto da obra, ou seja, a falta de lógica propositada na sequência das entrevistas e o tema, bem como, o momento em que solicitaram a redação. E foi isso que escrevi na redação.

Monica, gostei muito do artigo, porém, gostei muito mais do tema. É muito oportuno! Líderes decidem, em situação de urgência, assumem até a responsabilidade dos acionistas; são proativos e inovadores; precisam ser convencidos pela razão, jamais pela hierarquia ou ameaça de perder o emprego. Um trabalhador líder não se amolda a cumplicidade imbecil, potencialmente predadora da dignidade das pessoas.

Mas as corporações, por seus agentes diretivos, não desejam realmente a presença de líderes. Vivemos uma derivação do fordismo e todo o foco da educação está voltado para a funcionalidade, que, a meu sentir, não é apenas técnica, mas, sobretudo, comportamental.

Li ontem um artigo do Lenio Luiz Streck: Procurador de Justiça no Rio Grande do Sul, Doutor e pós-Doutor em Direito: "[...] essa Justiça em constante transição simbólica precisa realizar uma filtragem hermenêutico-constitucional dos tipos penais que aí estão, para que abandonemos o modelo de proteção máxima do “ter” e o desrespeito com o “ser” (humano)". "[...] O que quero denunciar é que se coloca uma espécie de alternativa ruim para a vítima: “Não dê mole para o assaltante...; não aparente posses etc.” Com isso, inverte-se a relação que está lá na Constituição: há um direito fundamental à segurança pública. O sujeito é assaltado e se diz: “Também... o trouxa ficou dentro do carro... veio o assaltante e, bingo (!), consumou o ato.” É?! Quem sabe podemos ler isso de modo diferente? É um direito do cidadão andar por aí, pelas ruas etc. É o Estado que deve dar segurança para o cidadão. O cidadão está certo. O assaltante, não. O quero dizer é que isso deve ser comunicado à vítima. O cidadão deve saber que o Estado se importa com ele."

Essa inversão de valores denunciada pelo Dr. Streck em relação ao Estado e a cidadania, ocorre, de igual modo, com os líderes que se deixam perceber no mundo corporativo. Fui mandado embora! Mas, também, veja o que você fez. Reclamar do não pagamento de horas extras para o seu setor! E incluindo todo mundo! Absurdo.

CORRUPÇÃO UMA EPIDEMIA SOCIAL


A corrupção deixa de ser somente um crime e assume características de uma doença social, quando já não se consegue perceber o que é certo e errado, percebe-se, apenas, o que é bom ou não é. O bom evolui para o senso comum e, o que deveria ser um ato moralmente reprovável, além de ser um tipo penal, passa a ser aceito como uma norma de conduta social em defesa dos interesses individuais.

 Vejo uma clara diferença entre o caixa de mercearia, que oferece desconto ao cliente para não registrar a venda, como também, o cidadão de média renda que é extorquido em R$ 50,00 pelas autoridades policiais em razão do não pagamento do defenestrado e inconstitucional IPVA (4% do valor do veículo, arbitrado pelas SEF) e, aqueles, que pelo poder que possuem, assaltam milhões do erário.

Mas a causa é a mesma, o poder de realização é que é diferente. Nossa sociedade incorporou na moral e nos bons costumes que levar vantagem, ainda que de forma ilícita, é uma coisa normal. Se é de conhecimento público que todas as campanhas políticas são financiadas pelo erário, através de corrupção e lavagem de dinheiro, não se explica os seguidos escândalos mais recentes. Os fatos deveriam ser encarados como consequências normais de quem foi pego.

Vejamos um recente escândalo, reincidente em áreas rurais. O Poder Executivo Liberou uma fortuna para as obras do PAC, no caso em tela. trata-se da construção de residências para pessoas de baixa renda. Não me atrevo a imaginar o quanto de recursos foram desviados, mas, de certo que os registros fotográficos de representantes e autoridades brasileiras na Europa, não revelaram, tão somente, uma incontrolável paixão pelos esportes. No mês de agosto a grande mídia carioca, em reportagem investigativa, divulgou que os beneficiados pelas unidades residenciais, embora impedidos por Lei e contrato, estavam vendendo as unidades. Em alguns conjuntos residenciais já se formara uma espécie de cooperativa de venda.

A mídia se calou, pois a responsabilidade legal pela fiscalização é do Estado, como não há interesse no confronto com o atual Governador, o assunto foi esquecido.

Ao meu sentir, a sustentabilidade econômica, produtiva e desenvolvimentista; qualidades econômicas inerentes aos seres humanos, passam pelo Estado Político, pelo Estado Legislador e Julgador, pela economia privada e pela sociedade num todo. Numa visão mais abrangente, a sustentabilidade econômica não é mais uma opção, é um imperativo planetário. Claro que ampliamos o tema a microrregiões e consideramos o Princípio da Dignidade da Vida Humana, que é mais abrangente do que somente a dignidade da pessoa humana.


Se a contaminação pela corrupção, que nasce das relações dos entes públicos  com os entes privados, em torno dos grandes interesses econômicos e atinge a sociedade num todo, passando a ser a "regra" ou o senso comum, como obter-se uma mudança de paradigmas que inclua de fato e de direito a sustentabilidade nas ações econômicas?

sexta-feira, 27 de abril de 2012

SER CRÍTICO I – O CONCEITO


A crítica está na natureza humana, de tal sorte, que podemos afirmar: todos os humanos, potencialmente, são críticos. A potencialidade não significa dizer que a crítica possa ser exercida sem desejo, conhecimento e esforço; razão pela qual grande parte das pessoas não se interessam ou se alienam da vida social. O não interesse advém de outras prioridades, ou inseguranças e formam o ser chamado de “politicamente correto”. Existe apenas uma diferença entre o “politicamente correto” e o “crítico”. O politicamente correto opta em não saber criticar, desta forma, elogia a tudo e a todos e longe do “espetáculo”, do seu “palco de atuação”, manifesta perfunctoriamente assaques contra tudo e todos. O verdadeiro crítico é um racionalista que consegue pensar com os valores éticos e verificar o que há de verdade ou equívoco em qualquer tipo de situação da vida corriqueira.

Para muitos as atitudes e comentários devem ser sempre “politicamente corretas”, ou seja, revelar o mínimo do que realmente pensamos sobre determinado assunto ou fato. Em outras palavras, viver o personagem de acordo com o script do momento, ser o padrão que se espera encontrar na tipificação imposta pelo senso comum.

Não vou contestar tal pensamento, pois sei que é assim que funcionam as relações humanas e sociais. Vivemos um período de inversão de valores e os críticos não são prestigiados pelas sociedades, mas, largados a própria sorte. No dizer de “Zaratustra”, os “super-homens” são inimigos das sociedades, sejam políticas, econômicas, empresariais, religiosas, ou qualquer outra forma de interesse humano.

Mas o que é um crítico? Seria uma espécie de demônio que denuncia os equívocos dos inerrantes sábios das sociedades? Ou seria um espírito de menino levado que grita diante das sociedades que seus líderes estão nus? Ou, então, anjos que combatem os valores terrenos em prol das virtudes metafísicas? Existiriam críticos do bem, ou todos são do mal? Ou, ainda, seriam os críticos improdutivos?

Um crítico é alguém atuante e sensível às reflexões relevantes, pensa sempre o melhor para sua empresa ou para a sociedade em que vive. É comprometido com a verdade e a busca incessante e de forma incansável.  Tem plena consciência do possível, mas não se deixa enrolar pelas falácias dos “espertos” que usam de todos os meios para convencer a outros de seus interesses, muitas vezes ocultos em atos generosos.

O crítico jamais fala mal de quem quer que seja, bem como não é um assacador das instituições da sociedade. Ele fala sobre as verdades fundadas nos saberes e nos processos éticos valorosos que norteiam sua razão. Ele não é um pessimista e muito menos alguém comprometido em apontar defeito em tudo e todos, ao contrário, como já foi dito, seu compromisso é com a verdade, bem como conhecer os limites do possível.

A crítica é que distingue os seres humanos dos demais animais, pois criticar é o ato de pensar, é o exercício da razão é o homem em sua plenitude. Apenas para lembrarmos, já no Século XVIII Immanuel Kant marca a história do conhecimento humano com seu livro “A Crítica da Razão Pura”.

SER CRÍTICO II – A DEFINIÇÃO


Criticar não é ter opinião adversa de alguém ou da maioria, mas um exercício da razão, fundada em valores éticos preestabelecidos, que busca conhecer o máximo de verdade diante de qualquer tipo de manifestação ou fenômeno. Criticar é racionalizar, raciocinar sobre um tipo de conhecimento.

Algumas profissões estão diretamente ligadas à capacidade crítica de seus profissionais, vejam, por exemplo, o Mestre Cervejeiro e o Enólogo, ainda podemos falar nos degustadores de café e muitos outros. A memória olfativa é uma atividade da razão e, ao mesmo tempo, um princípio ético, pois atribui valorações diferenciadas em função do público para o qual se dirige o produto.

Tomemos como exemplo o enólogo; a mesma parreira produz uvas com muitas variações aromáticas e de açúcares de um ano para o outro. Logo, a cada ano, o enólogo se deparará com características diferentes no produto final, portanto, sua missão é avaliar criticamente a verdade do produto e decidir o padrão e as alternativas viáveis: engarrafar com a rotulagem normal, levar o produto a uma feira ou concurso, misturar com outra safra da mesma uva, utilizar em produtos misturados (o mercado usa as terminologias corte ou seleções), ou usar outra rotulagem. As opções são do crítico a decisão é comercial, do gestor da vinícola.

Outro exemplo vem dos experimentos de novas espécies de frutos, solos, climas. Vejam o Vale do São Francisco, em pleno sertão nordestino, é capaz de produzir uvas que colocaram os nossos vinhos espumantes entre os melhores do mundo. Isso só foi possível em razão do trabalho de críticos, que desenvolveram toda uma estrutura de pensamentos utilizando todos os saberes tecnológicos da época.

Percebe-se de plano, que qualquer empreendedor sério possui um aguçado senso crítico, sem o qual, o fracasso é inevitável. De modo geral, esse é o motivo pelo grande número de pequenas empresas não sobreviverem aos dois primeiros anos de mercado. Também é muito frágil o momento de uma média empresa alçar ser uma grande empresa, o empreendedor, que tinha um espaço complementar em seu segmento de mercado, passa a disputar diretamente com grandes corporações. É necessário uma ampla avaliação crítica despojada de qualquer tipo de vaidade ou sonho, para pretender se manter vivo no mercado.

Pelo exposto, deve-se descartar do termo crítico o pessimismo, a reclamação e, especialmente, a rabugice. Quem vive achando que tudo vai dar errado, que sempre enxerga um defeito ou falha em qualquer coisa, ou que vive reclamando de tudo e todos, não tem nenhum senso crítico, ao contrário tem problemas psicológicos ou psiquiátricos.

Concluindo, ser crítico é inteiramente compatível com qualquer atividade humana, ou ainda, seria desejável que todas as atividades humanas passassem por um processo crítico. A nossa esperança não pode ser somente um sonho de ideias brilhantes, mas uma força vital da razão que nos impulsiona a trabalhar em favor de nosso futuro e do nosso próximo, dia após dia.

SER CRÍTICO III – AS BOAS PRÁTICAS


Falar de boas praticas no ambiente da crítica é uma tarefa muito complexa. A crítica se vale da hermenêutica e da exegese dos fatos e ações dos seres humanos nas diversas áreas da atuação dos mesmos.

Se sou um político, deverei tomar cuidado com as vantagens e facilidades que outros me ofereçam, tanto colegas de função pública, quanto indivíduos ou empresas da iniciativa privada, é a famosa cilada. Da mesma forma, devo cuidar das ações ofensivas, ou seja, as propostas e apoios a projetos de lei ou coisa semelhante, a reputação de um político pode ser depreciada intramuros ou publicamente. É mais fácil recompor a imagem maculada somente em público, do que entre os pares. E, finalmente, não podemos esquecer-nos, ou seja, das nossas limitações ou do ponto de equilíbrio emocional. Nunca somos a maravilha que pensamos ser, muito menos sabemos usar os conhecimentos que adquirimos como supomos saber. Somos o nosso maior adversário se formos previsíveis aos outros, mas imprevisíveis a nós mesmos.

Se olharmos criticamente para o parágrafo acima, podemos verificar uma espécie de regra geral, aplicável em qualquer grupo social de trabalho ou não. Como crítico, não creio em regras e mandamentos, esquemas ou similares que possam ajudar a qualquer pessoa a ter boas práticas de convivência e sucesso. Existe um grande mercado de autoajuda, mas não tenho interesse por condicionar seres humanos em gaiolas, sou um treinador de homens que desejam voar, que não sabem viver engaiolados.

A regra geral é principiológica, por tanto, precisa ser pensada criticamente sempre e diante de qualquer fato ou ação, mesmo que sejam iguais a muitos outros já vivenciados. A água de um rio nunca é a mesma.